quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Resenha filme: Em nome de Deus

Em Nome de Deus

            O filme conta a história de três moças, obrigadas a ficar internas no Convento Irmãs Madalenas, se passa em 1964, na cidade de Dublin – Irlanda.
            A primeira é Margareth foi molestada pelo primo, segunda Bernadeth interna em um orfanato e julgada como sedutora e ultima Rose mãe solteira.
            Todas as três são condenadas por serem mulheres consideradas desajustadas e com atitudes vergonhosas para com os pais, a sociedade, então motivadas pela fé as famílias ou tutores, as encaminham para o convento com o propósito de libertar-se do pecado e purificar-se. Portanto eram tratadas como mulheres pervertidas vistas com “maus”olhos pela sociedade, o castigo físico era aceito como natural, trabalho árduo imposto.
            As irmãs acumulavam os ganhos financeiros com a lavanderia, mantinham qualidade nas suas necessidades, contudo para as moças a comida era bem simples, roupas velhas, não podiam conversar entre si, deviam fazer votos de pobreza e trabalhar até a exaustão. As famílias não as queriam de volta, poucas tinham para onde ir, elas envelheciam longe do olhar da sociedade, algumas podiam pedir para se tornar freiras e fazer os votos, com isto sua situação melhorava um pouco e podia conseguir o perdão da família, estariam purificadas. Sem escolha outras persistiam até o fim de suas vidas, como foi a situação de uma interna que morreu só, sem assistência e ciente de que para as freiras só importava o trabalho.
                        O filho de Rose foi dado para a adoção, ela foi abordada pelo padre que teve uma breve conversa com ela, afirmando que o melhor para o bebê era ter um lar seguro com pai e mãe, abençoados pelo matrimônio, ao ela dizer que sim isto seria bom, ele já a faz assinar o papel e o bebê é levado. Ela chora pede ao pai que olhe o bebê, como é lindo, porém não adianta, irá para o convento.
            Margareth também é levada para o convento por aconselhamento do padre da família, após quatro anos o seu irmão conseguiu autorização do padre para buscá-la no convento e levá-la para casa.
            Bernadeth e Rose vendo que sua história seria morrer no convento, decidem fugir, na fuga agridem a Madre Superiora, que tenta as impedir. Buscam ajuda com uma prima de Bernadeth que é cabelereira, Rose questiona Bernadeth se as freiras não vão mandar a polícia, Bernadeth responde que “não, pois agora elas serão respeitadas”.
            Bernadeth se divorciou três vezes e até a data do filme vivia sozinha.
            Margareth tornouse professora da escola primária, na data do filme era diretora e nunca se casou.
            Rose permaneceu uma católica devota, casou teve duas filhas, reencontrou seu filho em 1996 (33 anos depois que lhe foi tirado) e morreu em 1998.
Fica nítido o poder da igreja, de decidir o que é melhor para o indivíduo, estando a frente das determinações, fazendo o “trabalho social”, orientando e encaminhando aos locais de assistência, sempre com interesse de esconder o problema, solucionando paliativamente e na maioria agravando a real situação do indivíduo, como foi o caso de Crispina, moradora do convento, que apresentava atraso cognitivo e que acabou por ser assediada pelo padre, quando descobriram, a mandaram para um hospital psiquiátrico, onde agravou mais sua saúde, falecendo aos 24 anos de anorexia.
            O filme mostra que indiferente do poder aquisitivo a moral era tratada com valor único, quem fosse desregrado, teria que se redimir com Deus, as moças tinham que manter-se puras. Em meados de 64 a sociedade já se reestruturava, estando mais aberta a movimentos sociais, estilos musicais, liberdade de expressão, porém imersa em um contexto cultural construído por gerações, com seus pré-conceitos e julgamentos, permeados de atitudes de resistência, mantendo-se estagnada as mudanças sociais.
            Dentro do convento o acumulo de dinheiro pelas irmãs, lembrava que aquele que detinha o poder aquisitivo estava acima de qualquer julgamento. O poder de polícia com total repressão ao indivíduo desajustado.

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